Revisão da literatura que examinou o conhecimento atual sobre o uso de canabidiol no tratamento dos sintomas não motores da doença de Parkinson (DP). Foram revisados estudos clínicos de canabinoides em DP e estudos pré-clínicos e clínicos de canabidiol em DP. Entre os estudos analisados, 4 ensaios clínicos randomizados (n = 49 pacientes) investigaram a administração de agonistas / antagonistas do receptor canabinoide do tipo 1. Esses estudos mostraram que esses compostos foram bem tolerados, porém apenas um estudo encontrou resultados de eficácia positivos (tratamento com nabilona reduziu discinesia induzida por levodopa). 7 estudos pré-clínicos investigaram o uso de canabidiol em DP, e seis desses estudos mostraram um efeito neuroprotetor do tratamento. 3 estudos clínicos investigaram o uso de canabidiol em PD (n = 31 pacientes), sendo 1 estudo aberto, 1 série de casos e 1 ensaio clínico randomizado. O canabidiol foi bem tolerado e todos os 3 estudos relataram efeitos terapêuticos significativos em sintomas não motores da doença, incluindo psicose, distúrbio comportamental do sono REM e atividades diárias.
Estudo que conduziu uma investigação na web para avaliar o uso de cannabis na doença de Parkinson (DP) e na esclerose múltipla (EM), e comparar os resultados de autoavaliações de incapacidade neurológica entre usuários e não usuários de cannabis. A pesquisa anônima na web foi realizada nas páginas da Michael J. Fox Foundation e da National Multiple Sclerosis Society entre 15 de fevereiro a 15 de outubro de 2016. A pesquisa coletou informações demográficas e de uso de cannabis dos pacientes e utilizou questionários padronizados para avaliar a função neurológica, fadiga, equilíbrio e participação em atividades físicas. 595 participantes estavam no conjunto de dados final. 76% e 24% dos entrevistados relataram ter DP e EM, respectivamente. Os usuários de cannabis eram mais jovens e menos propensos a serem classificados como obesos do que os não-usuários (p <0,035). Os usuários de cannabis relataram alta eficácia da droga, 6,4 ± 1,8 em uma escala de 0 a 7, e 59% relataram redução da prescrição de medicamentos desde o início do uso de cannabis. Os usuários de cannabis observaram níveis menores de incapacidade, especificamente nos domínios do humor, memória e fadiga (p <0,040).
Estudo observacional aberto que avaliou os efeitos da cannabis no tratamento de sintomas motores e não motores em pacientes com doença de Parkinson (DP). 22 pacientes com DP atendidos na clínica de distúrbios motores de um centro médico terciário em 2011 a 2012 foram avaliados antes e 30 minutos após fumar cannabis (quantidade inalada 0,5 g), utilizando-se a seguinte bateria de testes: Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson, escala visual analógica, escala de intensidade de dor presente, questionário de dor McGill, e questionário de pesquisa sobre cannabis medicinal (Medical Cannabis Survey National Drug and Alcohol Research Center Questionnaire). Os participantes, sendo 13 homens e 9 mulheres, tinham idade média de 65 ± 10,2 anos. A pontuação total média na Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson melhorou significativamente, de 33,1 (13,8) no início do estudo para 23,2 (10,5) após o consumo de cannabis (p <0,001). A análise dos sintomas motores específicos revelou melhora significativa de tremor (p <0,001), rigidez (p = 0,004) e bradicinesia (p <0,001) após o tratamento. Houve também melhora significativa dos escores de sono e dor. A pontuação da escala visual analógica diminuiu de 5,4 (3,7) no início do estudo para 1,7 (2,6) após o uso de cannabis (p <0,001). As pontuações correspondentes na escala de intensidade de dor presente foram 2,7 (1,7) e 0,8 (1,1) (p <0,001). Doze pacientes relataram grande melhora na qualidade do sono durante o tratamento com cannabis e 8 tiveram uma leve melhora. Nenhum efeito adverso significativo do tratamento foi observado.