Estudo que analisou os efeitos do óleo de canabidiol oral em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O estudo relatou a experiência de pais que administraram os canabinoides, sob supervisão, a seus filhos com TEA. Os pais foram instruídos por uma enfermeira sobre como administrar gotas orais do óleo, o qual continha canabidiol e tetrahidrocanabinol na proporção 20:1. As informações sobre sintomas de comorbidade e perfil de segurança foram registradas prospectivamente a cada duas semanas durante as entrevistas de acompanhamento. 53 crianças com mediana de idade de 11 (4–22) anos receberam tratamento por uma mediana de duração de 66 dias (30–588). A dose diária média administrada de tetrahidrocanabinol e canabidiol foi de 7 mg e 90 mg, respectivamente. A autolesão e os ataques de raiva (n = 34) melhoraram em 67,6% e pioraram em 8,8% dos pacientes com o tratamento. Os sintomas de hiperatividade (n = 38) melhoraram em 68,4%, não mudaram em 28,9% e pioraram em 2,6%. Os problemas de sono (n = 21) melhoraram em 71,4% e pioraram em 4,7% dos pacientes tratados com canabidiol. A ansiedade (n = 17) melhorou em 47,1% e piorou em 23,5%. Os efeitos adversos, principalmente sonolência e alteração do apetite, foram leves.
Estudo observacional que avaliou os efeitos do extrato de cannabis enriquecido com canabidiol nos sintomas do Transtorno do Espectro Autista (TEA). 18 pacientes com TEA em tratamento com uso de extrato de cannabis contendo canabidiol e tetrahidrocanabinol (75:1) foram estudados. A idade média dos participantes foi de 10,0 anos. Três pacientes interromperam o uso de cannabis antes de 1 mês devido a efeitos adversos. Entre os 15 pacientes que aderiram ao tratamento (10 não epilépticos e cinco epilépticos), apenas um paciente não apresentou melhora dos sintomas autistas. Após 6–9 meses de tratamento, a maioria dos pacientes apresentou algum nível de melhora em mais de uma das oito categorias de sintomas avaliadas: Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade; Transtornos comportamentais; Déficits motores; Déficits de Autonomia; Déficits de Comunicação e Interação Social; Déficits cognitivos; Distúrbios do sono; e Convulsões. Os resultados foram especialmente significativos para os 10 pacientes não epilépticos, dos quais nove apresentaram melhora igual ou superior a 30% em pelo menos uma das oito categorias, seis apresentaram melhora de 30% ou mais em pelo menos duas categorias e quatro apresentaram melhora igual a ou acima de 30% em pelo menos quatro categorias de sintomas. Dez dos 15 pacientes estudados faziam uso de outros medicamentos, e nove deles conseguiram manter a melhora nos sintomas mesmo após reduzir ou suspender os demais medicamentos. Os efeitos adversos mais comuns incluíram sonolência, irritabilidade moderada (três casos cada); diarreia, aumento do apetite, hiperemia conjuntival e aumento da temperatura corporal (um caso cada). Esses efeitos foram leves e / ou transitórios.
Estudo retrospectivo que avaliou a tolerabilidade e eficácia da cannabis rica em canabidiol em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e problemas comportamentais graves. 60 crianças com TEA e problemas comportamentais graves foram incluídas e receberam óleo de extrato de cannabis contendo canabidiol e tetrahidrocanabinol (20:1) como terapia adjuvante. A idade média da população estudada foi de 11,8 ± 3,5 anos; 83% eram meninos e 77% apresentavam baixo funcionamento cognitivo. No final do estudo, 44 crianças (73%) ainda estavam em tratamento com cannabis (duração média do tratamento: 10,9 ± 2,3 meses). A eficácia foi avaliada usando a escala de impressão clínica global do cuidador (Caregiver Global Impression of Change, CGIC). De acordo com os resultados da CGIC, após o tratamento com cannabis, os surtos comportamentais apresentaram melhora significativa ou muito significativa em 61% dos pacientes. Uma melhora considerável nos problemas de ansiedade e comunicação foi relatada em 39% e 47% das crianças, respectivamente. Os escores no Home Situations Questionnaire – Autism Spectrum Disorder (HSQ-ASD) melhoraram em 29% e os escores no Autism Parenting Stress Index (APSI) melhoraram em 33% em relação ao início do estudo com o tratamento com cannabis. Os eventos adversos incluíram distúrbios do sono (14%), irritabilidade (9%) e perda de apetite (9%). Uma menina que utilizou tetrahidrocanabinol em dose alta teve um evento psicótico sério e transitório que exigiu tratamento com um antipsicótico.
Estudo que realizou uma análise prospectiva da segurança e eficácia da cannabis medicinal como parte do tratamento de pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Dados de 188 pacientes com TEA tratados com cannabis medicinal foram coletados rotineiramente, como parte do programa de tratamento, entre os anos de 2015 e 2017. O tratamento na maioria dos pacientes foi à base de óleo de cannabis contendo 30% de CBD e 1,5% de THC. Inventário de sintomas, avaliação global do paciente e efeitos colaterais em 6 meses foram os desfechos primários de interesse. A média de idade da população avaliada foi de 12,9 ± 7,0 anos. Após seis meses, 82,4% dos pacientes (155) estavam em tratamento ativo e 60,0% (93) foram avaliados; 28 pacientes (30,1%) relataram melhora significativa, 50 (53,7%) moderada, e 6 (6,4%) leve, e 8 (8,6%) não detectaram alteração do quadro. Uma boa qualidade de vida foi relatada por 31,3% dos pacientes antes do início do tratamento, e aos 6 meses esse percentual subiu para 66,8% (p <0,001). Humor positivo foi relatado pelos pais para 42% dos pacientes antes do tratamento e 63,5% após 6 meses de tratamento (p <0,001). Vinte e três pacientes (25,2%) tiveram pelo menos um efeito colateral; o mais comum foi inquietação (6,6%), seguida de sonolência (3,2%), efeito psicoativo (3,2%), aumento do apetite (3,2%), problemas de digestão (3,2%), boca seca (2,2%) e falta de apetite (2,2%).